Reflexão: Texto " 0 modelos dos
modelos" de Ítalo Calvino
A dificuldade em aceitar
aquilo que foge da normalidade é a origem de muitos preconceitos e o que
dificulta a forma de olhar para o outro. Quando nos referimos a deficiência, o
olhar se volta apenas para a limitação, para o que não se pode fazer,
esquecendo que por natureza somos diferentes e que a limitação que alguém
possui não o define, não o sentencia a viver de uma única forma, mas lhe abre
muitos outros caminhos.
O texto possibilita uma reflexão sobre essa nova forma de olhar,
onde o autor aborda inicialmente a escola homogênea, com um único modelo para todos,
não existindo os princípios educacionais inclusivos, em que a educação não pode
ser vista de forma padronizada, permanente, generalizada e universal. Em seguida,
aborda a importância da escola que respeita as diferenças, que não padroniza e
nem classifica seus alunos, trazendo o conceito de educação inclusiva.
No seguinte trecho “... Mas se por um instante ele deixava de fixar a
harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a
seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres não eram
de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e
retorcidas...”
Percebemos a nova percepção sobre
a educação, em que a diversidade e as inúmeras possibilidades passam a ser vistas,
as diferenças passam a ser reconhecidas. E é nesse contexto que a educação
inclusiva passa realmente a existir e o que também norteia o AEE.
[...] A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já
desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros
segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse
melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades
distintas, no tempo e no espaço. [...]
Neste ponto só restava a Palomar apagar da mente os modelos e os modelos
de modelos. Completado também esse passo, eis que ele se depara face a face com
a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”,
os seus “nãos”, os seus “mas”...
Nestes trechos, podemos perceber que assim como o senhor Palomar, também
enquanto professores seja de AEE ou não, devemos estar sempre buscando
modificar nossas regras. Cada aluno é único e suas singularidades devem ser respeitadas
e valorizadas. Não podemos ter uma única forma de ensinar, e nem uma única
forma de olhar nossos alunos. O aluno não é apenas a deficiência e suas
dificuldades e é nesse contexto que enfatizamos a importância do AEE, do
trabalho junto aos demais profissionais e das famílias ,buscando conscientizar e informar a cerca do que é inclusão e de que nossos alunos possuem capacidades, desejos, vontade de aprender e que a
deficiência que possuem não os definem por completo.
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